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O objetivo deste site é o de orientar o público leigo a respeito da área de atuação, função e aplicabilidade da neurologia e neurocirurgia funcional, por meio de suas intervenções em algumas das principais doenças que acometem a população.
PERFIL
Com mais de 30 anos de atuação profissional, dr. Claudio Fernandes Corrêa é graduado pela Faculdade Federal do Triângulo Mineiro e possui mestrado e doutorado em neurocirurgia pela Escola Paulista de Medicina.

Neuralgia do trigêmeo: 7 informações que você precisa saber sobre a pior dor do mundo

A neuralgia do trigêmeo é uma doença conhecida por ocasionar a pior dor já registrada, atingindo de 3 a 5 pessoas em cada 100 mil por ano. Devido a alguns de seus sintomas serem semelhantes inicialmente com problemas de ATM e dentários, a doença pode ter seu diagnóstico dificultado, tanto que diversas pessoas chegam a extrair dentes ou usar aparelhos para bruxismo por anos, sem sucesso.

Visando, então, esclarecer algumas dúvidas e ajudar pessoas que sofrem com a neuralgia do trigêmeo a buscar um tratamento efetivo, separei 07 informações importantes a saber:

1. O que é a neuralgia do trigêmeo? É uma doença caracterizada por ocasionar uma dor súbita e intensa, geralmente de um lado da face, com choque elétrico ou espasmo muscular na distribuição dos ramos nervosos da mandíbula, maxilar e olhos. Ela tem maior prevalência no sexo feminino e com idade superior a 50 anos.

2. Onde o nervo do trigêmeo é localizado? A origem do nervo do trigêmeo é na base do encéfalo em uma estrutura denominada ponte e que faz parte do tronco cerebral. Após conexão com o gânglio trigeminal (Gânglio de Gasser), distribui-se em três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular, inervando sensitivamente a face em toda sua porção externa e na sua porção interna (gengivas, dentes, mucosa oral, terço anterior da língua, córnea). Portanto, tem a função básica de permitir ao paciente a percepção de estímulos sensitivos nessas áreas. Também apresenta um ramo motor com inervação do masseter, músculo importante no mecanismo da mastigação.

3. Quais as causas? Em 95% dos casos, a neuralgia do trigêmeo é considerada idiopática, ou seja, sem causa orgânica definida. Nos outros 5% são desencadeadas por tumores (Schwanomas), meningeomas, metástases encefálicas, aneurisma, malformação arteriovenosa e esclerose múltipla. Recentemente, surgiram algumas hipóteses de diagnósticos relacionados a tratamentos dentários que possam causar sensibilização central dos nervos.

4. Quais os sintomas? Os sintomas mais conhecidos são as dores intensas na região da face, com choque elétrico ou espasmo muscular. No entanto, devido a alguns de seus sintomas inicialmente semelhantes com problemas de articulação temporomandibular (ATM) e dentário, a doença pode ter seu diagnóstico dificultado, a ponto de ser comum pessoas terem seus dentes extraídos.

5. Como é o diagnóstico e qual é o profissional apto a diagnosticar e a tratar a neuralgia do trigêmeo? O diagnóstico é feito com base na somatória dos sintomas, intensidade e frequência em um ou mais segmentos inervados pelo trigêmeo. O profissional mais apto para diagnosticar e tratar a neuralgia do trigêmeo é o neurologista e/ou neurocirurgião funcional.

6. Quais opções de tratamento? O tratamento da neuralgia do trigêmeo é realizado, inicialmente, com medicamentos e quando eles deixam de responder, podem ser indicados procedimentos operatórios. São cinco os procedimentos operatórios comumente indicados para o tratamento da neuralgia do trigêmeo: descompressão neurovascular, radiocirurgia estereotáxica, neurotomia trigeminal por radiofrequência, com o glicerol e compressão com o cateter Fogarty (técnica do balão da Gasser).

7. Como é a técnica de compressão do gânglio de Gasser (técnica do balãozinho)? Das técnicas existentes para tratar o problema, a considerada mais simples e eficaz é a cirurgia de compressão do gânglio de Gasser. O procedimento, minimamente invasivo, introduz um fino cateter na região trigeminal com um micro balão em sua extremidade, que é inflado ao nível do gânglio, gerando um isolamento da região nervosa, com a interrupção instantânea da dor. O procedimento tem duração média de 10 minutos, com eficácia em 98% dos casos. A técnica pode ser realizada ambulatoriamente, com o paciente recebendo alta em média duas horas após o ato operatório. No entanto, é bom reforçar que, embora a cirurgia tenha resultado definitivo, pode ocorrer recidiva (volta) do problema em cerca de 30% dos casos, que podem ser operados novamente.

Informações completas sobre o tema estão disponíveis em:

Infográfico Entendendo a Neuralgia do Trigêmeo

Videocast Neuralgia do Trigêmeo: a pior dor que uma pessoa pode sentir